Tiramisù

Sobre amizade, interculturalidade, autocuidado e o que a gente coloca na mesa.

Você já parou pra pensar no que significa receber alguém na sua casa com um prato feito à mão? Não no delivery, não num restaurante. Na sua casa, com os seus temperos, na sua panela.

Essa semana eu fiz isso pra uma amiga italiana, e a noite acabou se tornando uma das mais bonitas que tive nos últimos tempos. Não por causa da comida. Por causa do que isso representou.

Ela trouxe tiramisù. Eu fiz strogonoff.

Tem algo de engraçado e bonito nisso. No Brasil, quando alguém especial vinha jantar, o menu quase certo era um prato italiano, geralmente risotto, como se a cozinha de outro país fosse sinônimo de capricho, de cuidado.

E aqui estava eu, num país que não é o meu, servindo um prato brasileiro pra uma italiana que chegou com a sobremesa da vida dela.

“Duas mulheres, dois países, duas histórias, numa mesa só.”

O período em que eu me fechei

Por um tempo eu fiquei mais fechada. A mudança de país já pede uma pausa por dentro, uma necessidade de introspecção, de entender onde eu estava antes de me abrir pra quem estava ao redor. A maternidade aprofundou isso. Eu respeitei esse processo em mim.

Meu marido também respeitou, porque a gente sempre conversou sobre isso: sobre a importância de cada um ter o seu espaço, os seus amigos, os seus momentos que são só seus. Não como ausência um do outro, mas como parte do que mantém a gente inteiro, e por isso, mais presente quando está junto.

Mas esse jantar me mostrou que eu voltei

Não da mesma forma. Melhor. Com mais escolha do que antes. Hoje eu estou aberta, especialmente quando tem reciprocidade. E essa noite tinha muita.

O tiramisù não era só uma sobremesa. Era ela dizendo: eu te vejo, eu vim, eu trouxe o que é meu. E o strogonoff era eu dizendo a mesma coisa.

É sobre isso. Sobre estar aberta. Sobre cuidar das amizades com o mesmo cuidado que a gente cuida de si. Sobre perceber que reciprocidade não é detalhe, é o que faz uma amizade ser real.

“Cultivar amizades de verdade também é autocuidado.”

É sair de casa quando você quer ficar no sofá, mas sabe que aquele encontro vai te fazer bem. É abrir a porta, cozinhar algo gostoso, colocar uma música. É deixar alguém entrar na sua vida do jeito que ela é agora.

Isso também é cuidar de si.

Ingrid Nardin
Com carinho, Ingrid Refletindo Entre Nós · autocuidado real para mulheres de verdade

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a vulnerabilidade é a chave inesperada para uma conexão genuína

Conexões significativas dão sentido à vida. É por meio delas que nos reconhecemos, crescemos e encontramos pertencimento. Ainda assim, muitas pessoas passam boa parte do tempo tentando esconder quem realmente são.

O medo de não ser suficiente, de não ser interessante, forte, competente ou digna de amor acaba se tornando um filtro silencioso. A gente continua presente, mas de longe. Mostra o que é seguro mostrar, esconde o resto.

Histórias de vida e pesquisas mostram um padrão claro: pessoas que conseguem abraçar a própria vulnerabilidade e que acreditam, de forma genuína, que são merecedoras de amor constroem vínculos mais profundos, experimentam mais alegria e desenvolvem um sentimento real de pertencimento. Elas não são menos feridas pela vida.

“A diferença está na forma como se permitem ser vistas.”

A vergonha, quase sempre enraizada no medo da desconexão, é universal. Todas nós, em algum momento, sentimos que não somos boas o bastante. O problema é que a vergonha prospera no silêncio. Quando escondemos nossas falhas, dores e inseguranças, acreditamos estar nos protegendo — mas, na verdade, estamos apenas reforçando a distância entre nós e os outros.

Muitas pessoas tentam lidar com esse desconforto emocional “anestesiando” o que sentem: evitando conversas difíceis, ignorando frustrações, ocupando-se excessivamente ou buscando distrações constantes.

O que raramente se percebe é que não é possível desligar apenas a dor. Ao anestesiar emoções desconfortáveis, também anestesiamos a alegria, a gratidão, o entusiasmo e a felicidade. Surge, então, um ciclo silencioso de afastamento emocional — tanto de si quanto dos outros.

Abandonar o perfeccionismo é um passo essencial nesse processo. A busca incessante por parecer impecável não nos torna mais fortes, apenas mais solitárias. Quando aceitamos nossas imperfeições e escolhemos a autenticidade, abrimos espaço para a compaixão — primeiro conosco e depois com quem nos cerca.

Passamos a enxergar o outro não como alguém que precisa nos validar, mas como alguém que também está tentando, aprendendo e errando.

Escolher a vulnerabilidade é, sem dúvida, um risco. Significa encarar a incerteza, abrir mão do controle da imagem que tentamos sustentar e aceitar que nem todos irão nos compreender.

Mas é exatamente nesse espaço — onde deixamos de performar e começamos a existir de verdade — que surgem as conexões mais profundas.

“Ter coragem para se ver como imperfeita não é sinal de fraqueza. É um dos caminhos mais sólidos para construir laços que resistem ao tempo.”

No fim, a vulnerabilidade não nos expõe ao abandono. Ela nos aproxima daquilo que todas, no fundo, buscamos: uma conexão verdadeira.

Ingrid Nardin
Com carinho, Ingrid Refletindo Entre Nós · autocuidado real para mulheres de verdade

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A culpa de não dar conta e o caminho da gentileza consigo mesma

Existe uma culpa que muitas mulheres carregam sem perceber quando ela começou. Ela não chega de repente, não faz barulho. Vai se instalando aos poucos, entre um compromisso e outro, entre uma expectativa e outra.

Ela aparece quando o dia termina e a sensação é de que algo ficou faltando. Quando a lista nunca acaba. Quando a casa, o trabalho, o corpo, a mente e o coração parecem pedir coisas demais ao mesmo tempo. Quando olhamos para a nossa vida e, em vez de enxergar tudo o que sustentamos, focamos apenas no que não conseguimos fazer.

Essa culpa é cansativa porque ela nunca se satisfaz. Não importa o quanto você faça, ela sempre encontra um ponto para cutucar. Poderia ter sido melhor. Poderia ter sido mais. Poderia ter dado conta.

O custo que ninguém fala

Fomos ensinadas a acreditar que dar conta de tudo é quase uma obrigação. Que ser mulher é ser forte, disponível, organizada, produtiva, emocionalmente estável e presente. Tudo ao mesmo tempo. E com leveza. Como se fosse simples. Como se não tivesse custo.

Mas tem custo. Um custo alto e silencioso. O custo do cansaço. De sentir que descansar precisa ser justificado. De carregar a sensação constante de estar devendo algo para alguém, para a vida, para si mesma.

Muitas mulheres vivem nesse lugar. Um lugar onde o corpo até para, mas a mente continua. Onde o descanso vem acompanhado de culpa. Onde até os momentos bons são atravessados por pensamentos do tipo “eu deveria estar fazendo outra coisa”.

“Se você se reconhece aqui, talvez não seja falta de força. Talvez seja excesso de peso.”

Não há nada de errado com você. O que existe é um cansaço acumulado, emocional e físico, que vem de tentar sustentar tudo sozinha, por muito tempo, sem pausa e sem permissão para falhar.

A verdade é simples e libertadora, embora difícil de aceitar: ninguém dá conta de tudo o tempo todo. Algumas pessoas apenas mostram menos. Outras contam com uma maior rede de apoio. Outras aprenderam a não se cobrar tanto.

Insistimos em nos medir pelo que produzimos. Em nos definir pelo que conseguimos entregar. Quando algo escapa, quando falhamos, quando precisamos parar, a culpa aparece como se fosse uma punição. Mas talvez a culpa não seja um sinal de fracasso. Talvez ela seja apenas um aviso de que algo está pesado demais.

“É aqui que começa o caminho da gentileza consigo mesma.”

O que é gentileza consigo mesma

Gentileza não é desistir. Não é se acomodar. Não é baixar expectativas por falta de capacidade. É reconhecer limites reais. É entender que existem fases. Que o que hoje parece pouco pode ser exatamente o possível.

Ser gentil consigo mesma é trocar a pergunta:

  • “Por que eu não dou conta?” → “O que está pesado demais para mim agora?”
  • “Por que não fui suficiente?” → “O que eu já sustentei hoje sem perceber?”
  • “Por que eu precisei parar?” → “O que meu corpo estava tentando me dizer?”

Existe algo bonito em se olhar com mais cuidado. Em perceber tudo o que já foi sustentado até aqui. As decisões difíceis. Os dias longos. As renúncias silenciosas. As escolhas feitas com medo mesmo. Há uma força discreta na vida cotidiana que raramente é reconhecida, mas que está ali, todos os dias.

Ser gentil também é permitir-se ser humana. Amar e se cansar. Querer e duvidar. Estar grata e, ainda assim, exausta. Contradições não anulam quem você é. Elas fazem parte.

Você não é a soma das tarefas concluídas. Não é a lista de pendências. Não é o que ficou para amanhã.

Há dias em que dar conta significa resolver tudo. Há dias em que significa apenas seguir. Há dias em que significa descansar. Todos esses dias têm valor.

“Você não precisa dar conta de tudo para merecer descanso, amor e respeito. Você já é suficiente como é. No seu tempo. No seu ritmo.”

Que este texto seja um lembrete, desses que a gente guarda por perto. Existe algo profundamente bonito em caminhar pela vida com menos cobrança e mais carinho consigo mesma.

Ingrid Nardin
Com carinho, Ingrid Refletindo Entre Nós · autocuidado real para mulheres de verdade

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Exercício 2 – Cor do meu dia

Respira, é sexta

Quantas vezes você já se sentiu exausta, mentalmente sobrecarregada e desconectada de si mesma — sem tempo nem energia para se cuidar?

Em meio à correria, é comum deixarmos de lado o próprio bem-estar. Mas o autocuidado não precisa ser demorado, caro ou complexo. Às vezes, bastam 5 minutos e uma folha de papel.

O que é este exercício

É uma prática de autocuidado expressivo chamada A Cor do Meu Dia, onde você identifica, por meio de cores, como está se sentindo no momento. Em vez de buscar respostas racionais, você acessa o seu estado emocional de forma simples, intuitiva e visual.

Como fazer
1

Pegue um papel e lápis de cor, caneta, marcador ou o que tiver à mão. Pode ser feito no celular também, com apps de desenho.

2

Respire fundo por alguns segundos. Deixe o corpo parar um pouco antes de começar.

3

Pergunte a si mesma: “Se meu dia tivesse uma cor, qual seria?”

4

Escolha a cor que surgir, sem racionalizar. A primeira que aparecer.

5

Desenhe uma forma, rabisco ou linha com ela. Não precisa ser bonito.

6

Opcional: escreva uma palavra ou sentimento que essa cor representa para você hoje.

Por que funciona

Ao acessar a linguagem simbólica das cores, você ativa o hemisfério direito do cérebro, responsável pela criatividade, intuição e expressão emocional. Isso permite que você se reconecte com o que sente, sem precisar “dar conta” de explicar com palavras.

“A arte permite expressar aquilo que muitas vezes não conseguimos verbalizar.”

— Cathy Malchiodi, PhD em Psicologia e especialista em Arteterapia
Quando praticar

No fim do dia, como um ritual de autocuidado antes de dormir

Em momentos de estresse, para se recentrar e voltar para si

Dica extra

Crie um diário visual com suas cores do dia. Com o tempo, você pode observar padrões emocionais e perceber como pequenas atitudes mudam seu estado interno.

Tire 5 minutos hoje para experimentar. Depois me conta:

“Qual foi a cor do seu dia?”

Referência: Malchiodi, C. A. (2006). The Art Therapy Sourcebook. New York: McGraw-Hill.

Ingrid Nardin
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O poder da respiração

Descubra como a respiração consciente me ajudou a viver um parto natural mais calmo, seguro e conectado com meu corpo — e como você pode usar essa prática no seu autocuidado diário.

Durante a minha gestação, eu fui sendo levada, aos poucos, para dentro de mim. Entre exames, emoções e descobertas, um convite surgiu: me reconectar com meu corpo.

Foi aí que a Tayse, minha fisioterapeuta pélvica, entrou na minha vida. Ela me ensinou algo simples — mas transformador: respirar consciente. Respirar com o corpo inteiro. Com consciência. Com presença.

A cada sessão com ela, fui percebendo o impacto da respiração consciente não só na gestação, mas em tudo: no foco, na ansiedade, na energia do dia.

“Mas foi no dia do meu parto que tudo se revelou com força.”

As contrações vinham intensas, como ondas. E a única coisa que me ancorava era a respiração que aprendi com a Tayse. Eu e meu marido lembrávamos, juntos, de tudo o que praticamos. A cada fase do trabalho de parto, uma técnica de respiração.

Inspirar… expirar… e eu voltava pro meu centro. Confiava no meu corpo. Me entregava ao momento. A respiração me deu calma, presença, força. E me permitiu viver um parto natural lindo, consciente e humanizado.

Desde então, nunca mais vi a respiração como algo automático.

ela é ferramenta
ela é autocuidado
ela é poder

Hoje, compartilho isso com você porque sei que a vida, às vezes, nos atropela. Mas se você puder parar — por 1 minuto que seja — e apenas respirar com consciência, algo começa a mudar.

Experimente agora — Técnica 4 por 4
Inspira em 4 tempos
Segura por 4 tempos
Expira em 4 tempos
Repete e sente
A respiração é seu ponto de retorno.
Pro seu corpo. Pro agora. Pra você mesma.
Ingrid Nardin
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A culpa materna: ela não nos pertence

Tem dias que parece que a culpa anda de mãos dadas com a gente desde o momento em que abrimos os olhos. Culpada por trabalhar fora. Culpada por querer ficar em casa. Por não estar a fim de sair passear. Por passar o dia inteiro com o filho e ainda achar que não foi suficiente.

Essa culpa que tanta gente sente, mas pouca gente fala, se instala de um jeitinho silencioso, quase invisível. E a gente vai achando que é normal, que toda mãe sente isso mesmo, que faz parte.

“E se eu te dissesse que não é sua? Que essa culpa não nasceu com você?”

A verdade é que essa culpa foi ensinada. Ela é filha das expectativas impossíveis que colocaram sobre nós. Nos ensinaram que mãe de verdade é aquela que dá tudo, se anula, não reclama, não falha — quase como se o amor de mãe precisasse ser provado todos os dias com exaustão e sacrifício.

Eu também já estive aí

Tentei ser a mãe perfeita. Presente, disposta, incansável. E mesmo assim, a culpa vinha. Lembro de uma vez, durante uma viagem no verão europeu, em que decidi não levar a comida feita em casa pro meu filho, com medo de que estragasse. Achei mais seguro oferecer uma papinha pronta. E mesmo tendo feito o melhor que pude naquele momento, me culpei. Me questionei se estava sendo negligente, se ele merecia mais. Hoje eu levo isso com mais leveza. Mas antes…

E é isso que a gente precisa lembrar: somos humanas. Com falhas, limites e necessidades próprias.

A psiquiatra Alexandra Sacks, que cunhou o termo matrescência, diz que a transição para a maternidade é tão intensa quanto a adolescência. Só que, diferente dela, ninguém nos prepara. Esperam que saibamos tudo, que sintamos tudo, que façamos tudo. E quando a realidade não acompanha essa idealização, vem ela: a culpa.

Cuidar de si não é abandono
Sentir cansaço não é fraqueza
Querer ser mais não é egoísmo

É humano. E necessário.

Olhe com carinho para essa culpa. Pergunte-se: de onde ela veio? Quem foi que colocou essa exigência em mim? Será que ela realmente me pertence?

Você não está sozinha. E também não precisa carregar isso sozinha. A culpa não mede o tamanho do seu amor.

O amor de verdade começa quando você se acolhe com a mesma ternura com que acolhe seu filho. Quando você aprende a ser gentil com a mulher que você ainda é, mesmo depois da maternidade.

“Você está fazendo o melhor que pode. E isso é mais do que suficiente.”

Referência: Sacks, A. (2017). The Birth of a Mother. The New York Times.

Ingrid Nardin
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Exercício 1 — Reflexão no Espelho

Respira, é sexta

Seja bem-vinda ao nosso primeiro exercício do quadro “Respira, é sexta”. Toda sexta-feira, um convite de autocuidado simples, criativo e cheio de intenção, pra te ajudar a se reconectar com você mesma.

o que você
mais gosta
em você?

Exercício: Reflexão no Espelho

Olhar-se no espelho pode ser uma forma poderosa de reconectar-se com o seu próprio valor. Muitas vezes, focamos tanto nas necessidades dos outros que esquecemos de ver nossa própria beleza e força.

Essa proposta é um convite pra você se olhar com mais gentileza.

Como fazer
1

Pegue um papel em branco.

2

Desenhe o contorno de um espelho.

3

Dentro dele, escreva tudo o que você mais gosta em si mesma. Pode ser uma qualidade, algo físico, um gesto, uma força que você reconhece.

4

Depois vá até o espelho e diga a você tudo o que escreveu no papel. Se abrace.

“O autocuidado começa com a forma como a gente se vê.”

Você merece se enxergar com mais amor todos os dias. Seja gentil com você mesma.

Depois me conta como foi.

E compartilha com outras mulheres que também estão nesse caminho de reconexão.

Ingrid Nardin
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Quem sou eu?

Ontem, enquanto preparava um rascunho sobre o tema “quem sou eu”, escrevi algumas linhas, ainda tentando me entender nesse emaranhado todo. E hoje, na minha sessão de terapia, a Isabela — minha terapeuta — fez algumas perguntas que me levaram direto pra um mergulho interno.

Na sessão de hoje “O que traz felicidade pra Ingrid?” “O que ainda desperta prazer?”
Ficou ali, ecoando baixinho… como quem pede licença, mas já sabe que vai ficar. E eu parei. Respirei fundo. E respondi: “Não sei.”

Parece simples, né? Mas não foi. Porque quando uma pergunta encosta justo naquele cantinho da alma que anda meio empoeirado, ela te faz perceber o quanto a gente vai se afastando da gente mesma — se misturando nas demandas, nas expectativas, nos papéis todos… até que o que dá prazer parece ter ficado esquecido em alguma gaveta.

“Pela primeira vez em muito tempo… senti.”

E foi depois que a sessão terminou que as perguntas ainda ficaram aqui, girando baixinho na minha cabeça, como se pedissem para serem revisitadas com mais calma. Então quero voltar para aquela pergunta que tinha sido o ponto de partida.

A clássica, simples e tão complexa: Quem sou eu?

Sou engenheira, apaixonada por viagens, viciada em organizar tudo, cheia de metas e planos. Eu acreditava que tinha controle da vida — ou pelo menos uma boa ilusão dele.

Aí veio meu filho. E com ele, um novo mundo. Achava que tudo continuaria mais ou menos igual, só que com um bebê no colo. Ingênua, eu? Talvez. Mas quem nunca?

A maternidade virou tudo do avesso. E, junto com ela, vieram novas perguntas, outras versões de mim, um monte de desconstruções e alguns reencontros — inclusive com coisas que eu nem lembrava que gostava.

Hoje? Sou mãe. Sou mulher. Sou filha. Sou esposa. Sou amiga. Sou aquela que vive tentando dar conta de tudo, mas que aprendeu que, às vezes, tudo é só aquilo que couber no dia — e tá tudo bem.

Sou feita de fases, de pausas, de recomeços. Já me cobrei demais. Hoje, me acolho e olho pra mim com mais gentileza. (Como eu sempre digo: Santa terapia!)

Agora eu te passo as perguntas

“Quem é você, hoje?” “O que ainda te faz vibrar, sorrir, sentir prazer em ser você?” Se quiser, me escreve. Me conta.
Vamos continuar refletindo… entre nós.
Ingrid Nardin
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Maternidade e identidade profissional: sou mais do que um cargo

A maternidade é um marco de transformação, não apenas no nosso corpo, mas também em nossa mente e no nosso coração. De repente, nos vemos divididas entre o ser mãe e o ser profissional.

A verdade é que somos muito mais do que um cargo. A nossa identidade é multifacetada, cheia de nuances que merecem ser reconhecidas e acolhidas.

A minha história

Sou engenheira química. Quando me tornei mãe, houve um momento de adaptação no qual precisei me reinventar. Eu senti o peso de querer estar presente para o meu filho, ao mesmo tempo que sentia que a mulher profissional dentro de mim não poderia ser deixada para trás.

Com o tempo, fui me ajustando para que minha identidade profissional e a maternidade não fossem excludentes, mas complementares. Isso me levou a uma transição de carreira, ao decidir entrar para a área de tecnologia e empreender com o Refletindo Entre Nós.

Eu sou todas essas coisas ao mesmo tempo
a mãe
a engenheira
a empreendedora
a mulher
a que está em construção

“Todas essas facetas têm o seu espaço dentro de mim.”

Se você é mãe e está se perguntando como equilibrar essas duas dimensões, eu te entendo profundamente. Não há certo ou errado aqui. O importante é que, em cada escolha, você se sinta tranquila com o que está fazendo por você e pela sua família.

Voltar ao mercado de trabalho
Focar na maternidade por um tempo
Criar um caminho novo

Não há uma fórmula única para todas nós. Cada mulher, cada mãe, tem sua própria jornada e seus próprios desejos, e isso precisa ser respeitado. Você é muito mais do que um título ou uma função. A sua identidade vai muito além disso.

E se em algum momento você sentir que se perdeu, lembre-se: como mãe, você também está em constante transformação. Tudo bem se essa transformação for devagar, com calma, e sem pressa.

“Aqui, todas as escolhas são respeitadas. Você sempre vai encontrar um espaço onde pode ser você mesma — com todas as suas dúvidas, desejos e sonhos.”

Ingrid Nardin
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Por que criei o Refletindo Entre Nós

Iniciar uma jornada de autocuidado e autoconhecimento é, talvez, uma das formas mais sinceras de dizer a nós mesmas: “eu me vejo”. E foi justamente ao buscar esse olhar com mais gentileza para mim, que nasceu o Refletindo Entre Nós.

A minha história se entrelaça com a de tantas outras mulheres: ao me tornar mãe, fui tomada por uma transformação profunda. Aquela estrada que antes parecia tão clara, de repente, ficou ofuscada. Me vi cercada por dúvidas, inseguranças e por um silêncio interno que gritava: onde estou eu, além da maternidade?

Foi nesse lugar sensível — de desconexão e redescoberta — que senti a urgência de criar algo. Algo que não fosse só para mim, não apenas para mães, mas para todas nós mulheres. Um espaço onde pudéssemos, com liberdade, refletir, nos cuidar e lembrar que ainda existimos como mulheres inteiras, mesmo em meio ao turbilhão da vida. Assim nasceu o Refletindo Entre Nós — não como uma marca, mas como um abraço. Uma rede feita de escuta, troca e acolhimento.

Esse projeto é um lembrete de que não precisamos nos apagar para caber nos papéis que ocupamos. Podemos ser mães e, ao mesmo tempo, ser quem sempre fomos — com sonhos, dores, desejos e voz. Cuidar de si não é um luxo, é um ato de amor. E é também resistência.

Se em algum momento você se sentiu perdida de si mesma, saiba que não está sozinha. Eu também me senti assim. E é por isso que estou aqui, abrindo esse espaço para que a gente se encontre entre nós — com empatia, com verdade, com coragem.

Que esse seja um ponto de partida para o reencontro com a sua essência. Vamos juntas!

Com carinho,

— Ing.